Adeus, lar
Vulnerabilidade social. O conceito é utilizado para definir pessoas que
estão em processo de exclusão social, principalmente por
fatores sócioeconômicos. A maioria destas pessoas não tem condições
financeiras de manter as despesas básicas para viver com tranquilidade (comida,
moradia, luz). No dia 06 de dezembro, uma determinação judicial emitida pela 2ª
Vara de Justiça Federal estabeleceu a desocupação do bairroCanhanduba. A ação
da Defesa Civil envolveu as polícias Militar e Rodoviária Federal, Codetran e
secretarias da Prefeitura Municipal. Já notificadas, 23 famílias que viviam na
Rua João Dalmolin foram levadas para o Aluguel Social e serão realocadas. A
precariedade e os sistemas públicos deficitários são um dos principais
agravantes da condição, que piorou ainda mais a situação desta população, já
considerada em vulnerabilidade.
Em 2014, dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, mostraram que cerca de 54 milhões pessoas nas cidades brasileiras vivem em situação inadequada.
O Ipea considerou fatores como o acesso a serviços de saneamento, material utilizado na construção das moradias e até o número de pessoas que dormem por cômodo, resultando no que equivale a 34,5% da população urbana.
O instituto
ainda divulgou que a população favelada do País aumentou 42% nos últimos 15
anos e alcança quase 11 milhões de pessoas.
Enquanto isso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontou, também em 2014, que o número de domicílios vagos é superior a seis milhões, sendo maior que o déficit habitacional do País.
As estatísticas são motivo
de questionamentos e reflexão. Por que apesar de sobrarem casas para morar,
ainda tem gente que vive na rua? Por que tantas pessoas ainda são mandadas para
aglomerados urbanos que não suprem suas necessidades como ser humano? Por que o
número de favelas cresce no País?
São homens, mulheres, idosos e crianças vivendo em um pequeno cômodo que mal pode conter todos os bens da família.
No livro O Mundo de Sophia, uma reflexão pode ajudar no entendimento de questões como esta. JosteinGaarden escreve no segundo capítulo sobre os primeiros anos de uma criança, que fascinada pelo novo mundo em qeu vive, surpreende-se até pelo latido de um cachorro.
Porém com o tempo,
os pais da criança repetem inúmeras vezes que aquela situação é comum e, ela,
acostuma-se com a situação.
A metáfora utilizada
por Gaarden é aplicada em várias questões sociais, principalmente nas que
envolvem situações de desigualdade. Afinal, quando nos acostumamos a olhar para
o vulnerável e não fazer nada? Quando nos acostumamos a ter tudo em quanto o
outro tem nada? Quando nos acostumamos a olhar sem perceber o mundo ao nosso
redor?

































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